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Conta Azul · 2024

Tornando o ERP navegável desde o primeiro acesso com uma camada de busca global

  • Architecture
  • Navigation
  • Discoverability
  • MVP
  • Platform
Contexto
O menu do ERP exibia tudo para todos, sem hierarquia adaptada ao momento do usuário. O resultado era sobrecarga cognitiva, especialmente para usuários de primeira viagem que precisavam encontrar ações específicas sem conhecer a estrutura do produto.
Problema
Descoberta de funcionalidades dependia inteiramente de exploração por tentativa e erro. Não havia camada de busca que permitisse ao usuário chegar diretamente ao que precisava (ação, feature ou entidade) sem navegar pela árvore de menu.
Abordagem
Design de uma camada de busca global como MVP: busca de ações, features e entidades dentro do produto, com resultados contextuais que respondem à intenção do usuário em vez de replicar a estrutura do menu.
Resultado
Efeito mensurável em descoberta de features críticas: +600% em acesso a Pix compensado, +233% em Pix emitido, +100% em link de pagamento, entre outros.

Resultados

  • +600% Pix compensado Busca + navegação
  • +233% Pix emitido Busca + navegação
  • +100% Link de pagamento Busca + navegação
  • +41% Compras Busca + navegação
  • +37% Relatórios de vendas Busca + navegação

Atuação

Fui o Product Designer responsável pelo componente de busca global e pela sua integração como camada de navegação independente do menu principal. O trabalho cobriu três frentes: decisões de arquitetura sobre o escopo inicial de indexação (rotas e URLs do produto no MVP), design dos estados do componente e coordenação com os parceiros de Design System para incorporar o componente ao DS. Conduzi as decisões de interface e a especificação de acessibilidade do componente, em articulação com os stakeholders do squad.

Estratégia

Os dados de ativação documentavam o problema com precisão:

  • 69% dos trials não voltavam no segundo dia.
  • Menos de 10% realizavam ações essenciais (vendas, cobranças, integrações) durante o trial.
  • Meetrox, fev/2025: 219 citações de falta de funcionalidades, 130 de dificuldade de uso e 70 de expectativas não atendidas.

Esses números apontavam para dois diagnósticos possíveis: o produto não entregava o que o usuário precisava, ou o produto entregava mas o usuário não conseguia encontrar. A segunda hipótese tinha suporte em fundamentos bem estabelecidos de UX: a Lei de Hick-Hyman estabelece que o tempo de decisão aumenta com o número de opções disponíveis simultaneamente; o Princípio de Miller descreve os limites de carga cognitiva em interfaces. Um menu lateral que exibe tudo para todos viola os dois.

A decisão estratégica foi tratar baixa encontrabilidade como causa primária, não falta de funcionalidade. O MVP foi desenhado como camada complementar ao menu, não substituta: mantém a estrutura existente para usuários que já conhecem o produto e cria um atalho direto para quem está aprendendo. Escopo mínimo deliberado: sem autocompletar, sem histórico, sem personalização, para validar o padrão de uso antes de investir em expansão.

Processo

O processo seguiu uma sequência deliberada: análise de dados de ativação → pesquisa qualitativa com novos clientes → desk research e benchmark → avaliação de alternativas de componente → especificação do componente isolado.

A pesquisa qualitativa com novos clientes foi determinante para transformar hipóteses em evidência. Os problemas relatados eram concretos: ícones do menu fechado sem nome (clientes tentavam decorar os ícones para navegar); termos divergentes entre a central de ajuda (“PDV”) e o sistema (“Frente de Caixa”); importação com limite de 500 registros sem mensagens de erro claras; chat de suporte com 30 minutos de espera médio.

O benchmark cobriu doze sistemas de busca isolada em SaaS: Spotlight Apple, Google Search, Sketch, Slack, Notion, Linear, GitHub, Superhuman, Airtable, Coda, Raycast e Alfred. Características convergentes observadas: busca em tempo real enquanto digita, categorização clara por tipo de resultado, acessibilidade por atalho de teclado (⌘+K como padrão de mercado), tolerância a erros de digitação e personalização contextual.

Diagnóstico

Solução

Reflexão

O que este projeto realmente foi

Uma investigação sobre demanda reprimida. Os dados de ativação mostravam baixo uso de features valiosas, e a leitura fácil seria concluir que os usuários não precisavam delas. A busca contou outra história: eles precisavam e não achavam. O +600% em Pix compensado destravou um comportamento que já existia como intenção e não chegava ao destino, sem nenhuma feature nova no meio.

No fundo, foi uma prova de conceito de que arquitetura de informação mexe no comportamento de produto, e não só na satisfação do usuário.

O que permaneceu depois

O componente de busca isolada foi incorporado ao Design System da Conta Azul com especificação completa de estados, critérios de acessibilidade e boas práticas de reuso. A visão de futuro documentada durante o projeto (integração com IA para sugestões inteligentes, navegação guiada por dados, ordenação por uso recente, integração de artigos de ajuda e treinamentos) ficou registrada como backlog estratégico. O componente existente é a fundação técnica e de design para essa expansão.

O que eu faria diferente

Instrumentaria o componente com rastreamento de eventos desde o lançamento do MVP. Os números de descoberta de features foram mensuráveis porque outros sistemas de tracking estavam ativos, mas não havia dados específicos de uso da busca em si: termos mais buscados, taxa de clique nos resultados, frequência de estado vazio. Esses dados teriam acelerado a decisão de expandir o escopo de indexação e teriam dado base para priorizar quais entidades adicionar primeiro.

Também conduziria pesquisa qualitativa dedicada especificamente ao comportamento de busca antes de definir os estados do componente, não apenas depois do rollout. A pesquisa com novos clientes documentou os bloqueios de navegação existentes, mas não testou padrões mentais de busca: o que os usuários esperam encontrar, como formulam as queries, qual o custo percebido de um resultado vazio.

Numa v2, eu adicionaria categorização visual dos resultados por iconografia, sinalizando a natureza de cada item (ação, feature ou entidade), e uma descrição curta em cada resultado. As duas mudanças facilitam a decisão de clique e reduzem a carga cognitiva na navegação e no uso das features.

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