Redesenhando o checkout de assinatura para reverter uma taxa de abandono de 62%
Conversion
Checkout
B2B SaaS
Hypothesis-Driven
Revenue
Contexto
O checkout de assinatura da Conta Azul era o ponto final do funil de aquisição, e estava perdendo 62% dos usuários antes da conclusão do pagamento.
Problema
Taxa de abandono de 62%, com impacto direto na receita de assinatura. O design do fluxo acumulava fricção em múltiplos pontos sem hipóteses claras de onde priorizar.
Abordagem
Diagnóstico por etapa, priorização por impacto estimado e execução de cada melhoria como hipótese mensurável, antes do design. Responsabilidade integral do diagnóstico ao QA.
Resultado
+63,5% na taxa de conclusão do checkout. Taxa final de 71,04%, superando a meta original de reduzir abandono de 62% para 55%.
Resultados
+63,5%Conclusão do checkoutvs. baseline
71,04%Conclusão após mudançasMeta era 55%
−12,77%Abandono no faturamentoMaior gargalo
+14,5%Conclusão da etapa de add-onReposicionamento
Atuação
Liderei este projeto como único designer responsável, com escopo integral: da análise de abandono por etapa à entrega do QA da implementação. O trabalho não foi apenas redesign de interface: foi um programa de conversão estruturado em hipóteses documentadas no Confluence, cada uma com métrica de sucesso definida antes de qualquer wireframe.
O escopo incluiu análise de dados de abandono por etapa do funil, decisões de UX writing, ajustes de hierarquia visual, reposicionamento estrutural do fluxo e um dilema de negócio que precisava ser resolvido antes do design: o que fazer com o botão de extensão de trial.
Estratégia
O problema central era de produto, antes de ser de UX. O botão de extensão de trial atendia a um caso legítimo, mas sua posição no checkout criava dois problemas: competia com a conversão no momento de decisão e deixava o time de vendas sem registro de quando retomar o contato. A decisão foi reduzir a ênfase visual do botão de extensão em favor dos botões de planos.
A segunda decisão foi tratar cada melhoria como hipótese documentada, não como entrega de UX.
Meta: reduzir abandono de 62% para 55%; para chegar lá de forma rastreável, cada intervenção precisava de uma previsão de impacto registrada antes do design.
Formato: gerou clareza sobre o que estava sendo apostado e base de aprendizado sobre o que especificamente funcionou.
CTA principal: decisão ancorada na Lei de Fitts: em fluxo de alto custo percebido, reduzir o esforço motor do clique é intervenção de conversão, não polish.
Processo
O diagnóstico partiu dos dados, não da percepção. O funil foi mapeado etapa a etapa com taxas de conclusão para identificar onde a perda era maior, não onde o fluxo parecia mais problemático visualmente. A partir do mapa de abandono, reuniões de alinhamento com o time produziram um levantamento colaborativo de hipóteses de causa. Cada hipótese foi avaliada por dois critérios: viabilidade de implementação e impacto estimado na taxa final.
O resultado foi uma lista priorizada de intervenções, cada uma com hipótese explícita e métrica de sucesso documentada no Confluence. O formato da hipótese era invariável: ‘se fizermos X, Y acontecerá porque Z.’ Esse formato forçou precisão antes do design e criou base para aprendizado após o resultado.
O fluxo de trabalho do designer incluiu QA da implementação, não como revisão pontual, mas como parte do escopo. Erros ortográficos na etapa de pagamento, bugs de validação e inconsistências de copy foram identificados e corrigidos nessa fase.
Data-Driven
Colaboração
Priorização
Hypothesis-Driven
Metrics-Driven
QA
Diagnóstico
O funil foi mapeado etapa a etapa para identificar onde a perda era maior.
Pergunta: Quais problemas o time já observava no fluxo, e quais não tinham hipótese de causa documentada?
O que foi feito: Reuniões de alinhamento com envolvidos no funil de conversão para levantar observações, relatos de suporte e percepções de comportamento de usuário. O levantamento foi combinado com avaliação de usabilidade do fluxo para identificar fricções que os dados de abandono não explicavam por si sós.
Achado principal: A extensão de trial estava competindo com a conversão no mesmo momento de decisão, e não havia registro do evento para o time de vendas. O botão existia para um caso legítimo, mas sua implementação criava perda silenciosa de receita.
Artefato: Lista priorizada de hipóteses de melhoria, avaliadas por viabilidade e impacto estimado.
Pergunta: Em qual etapa do fluxo a perda era proporcionalmente maior, e qual hipótese de causa explicava o padrão?
O que foi feito: Mapeamento das taxas de conclusão etapa a etapa a partir dos dados de abandono disponíveis. O período de referência cobriu 2.404 checkouts iniciados em 30 dias, com 629 deles originados de usuários end-trial. Essa segmentação expôs que o contexto de entrada no checkout influenciava o comportamento no fluxo.
Achado principal: A etapa de faturamento concentrava o maior volume de abandono. A hipótese de causa combinava três vetores: campos apresentados de uma vez sem progressividade, validação prematura que interrompia o preenchimento antes da conclusão, e ausência de clareza sobre o valor final com desconto.
Artefato: Mapa de abandono por etapa com hipóteses de causa documentadas por item.
Pergunta: Qual sequência de intervenções maximizaria o impacto na taxa final dentro das restrições de viabilidade técnica?
O que foi feito: Cada hipótese levantada foi avaliada em duas dimensões: viabilidade de implementação (tempo, dependências técnicas, escopo de engenharia) e impacto estimado na taxa de conclusão final. A ordem de execução considerou também a dependência entre etapas: a etapa de add-on só poderia ser reposicionada de forma eficaz depois que o gargalo de faturamento estivesse resolvido. Para cada item aprovado, uma métrica de sucesso foi definida e documentada no Confluence antes do início do design.
Achado principal: A etapa de faturamento era o gargalo prioritário: resolver outros pontos antes dela produziria ganhos limitados, pois a perda acontecia antes de o usuário chegar às etapas seguintes.
Artefato: Backlog de hipóteses priorizadas com métricas documentadas no Confluence, pronto para execução em sequência.
Solução
Problema: Na tela de escolha de planos, o botão de extensão de trial competia visualmente com a conversão e não havia CTA direto de compra com peso suficiente. A extensão atendia a um caso legítimo, mas no momento da decisão drenava a intenção de assinatura e não deixava registro para o time de vendas.
Decisão de design: Redução da ênfase visual do botão de extensão e inserção de CTAs diretos de compra nos planos, deslocando o peso da ação principal para a assinatura. A ação de extensão passou a gerar registro automatizado, dando visibilidade ao time de vendas sobre quando retomar o contato.
Tela de planos antes — ênfase na extensão de trial
Resultado: Intervenção medida pelo volume de checkouts iniciados: 2.404 no total e 629 originados de end-trial em 30 dias, base de segmentação para calibrar o restante do funil.
Problema: A etapa de add-on estava ausente do fluxo de sugestão de compra: o usuário era direcionado diretamente ao Faturamento sem passar pelo Add-on. O reposicionamento era necessário tanto para medir adesão real ao add-on quanto para garantir que ele aparecesse no momento certo do fluxo.
Decisão de design: Reposicionamento da etapa para após o Faturamento, dentro do fluxo de sugestão de compra, garantindo que o usuário já tivesse confirmado o plano principal antes de encontrar a decisão de add-on. Essa sequência reduzia a percepção de barreira obrigatória antes da compra e permitia medir, pela primeira vez, a adesão real ao add-on nesse contexto. O teste exigiu um estudo técnico em Spike com engenharia antes da implementação, alinhando viabilidade e instrumentação de medição.
Reposicionamento da etapa de add-on no fluxo de sugestão de compra
+14,5%Conclusão da etapa de add-on
Problema: Maior taxa de abandono do fluxo. Campos de faturamento apresentados todos de uma vez, com validação prematura antes da conclusão do formulário.
Decisão de design:
Campos progressivos (PF) — exibe apenas o necessário em cada momento, reduzindo a carga cognitiva percebida.
Validação corrigida — erros aparecem apenas após a interação com o campo, não antes.
Campos de faturamento — divulgação progressiva e validação corrigida
−12,77%Abandono no faturamentoMaior gargalo do fluxo
Problema: Ausência de sinais de confiança no momento mais sensível do fluxo. Botões de ação com área de clique insuficiente para uma ação de alto custo percebido. Copy da conclusão via boleto criava ambiguidade sobre o estado do pedido, com erros ortográficos na etapa.
Decisão de design:
Selo ‘Compra segura’ — em B2B, segurança de dados e política de cancelamento são critérios de decisão, não tranquilizações genéricas.
Desconto explícito no resumo — a ausência de clareza sobre o valor final era fonte documentada de abandono por incerteza.
Botões maiores (Lei de Fitts) — o tamanho do alvo tem relação direta com o tempo de interação; em ação de alto custo percebido, reduzir o esforço motor é intervenção de conversão. Componente Large especificado em parceria com o time de Design System, via solicitação formal.
Copy do boleto reescrita — eliminada a conotação de conclusão quando o pagamento ainda dependia de ação externa; erros ortográficos corrigidos.
Etapa de pagamento — selo 'Compra segura', desconto explícito e botões maiores
+63,5%Conclusão do checkout
Contribuição combinada de todas as etapas · Boleto: métrica de acompanhamento própria (emitidos vs. pagos)
Reflexão
O que este projeto realmente foi
Um programa de conversão tocado com disciplina de hipótese. Um redesign comum entregaria um checkout mais bonito; aqui cada intervenção virou aposta documentada antes da execução, e isso gerou aprendizado sobre o que de fato moveu a métrica. A meta oficial era baixar o abandono de 62% para 55%. Chegar a 28,96% de abandono (71,04% de conclusão) foi consequência desse método.
O dilema da extensão de trial mostra a fronteira entre decisão de design e decisão de produto. O botão atendia a um caso legítimo, mas sua posição no fluxo drenava receita em silêncio e não deixava registro para o time de vendas. Resolver isso exigiu entender o pipeline de vendas, e não só o comportamento do usuário no checkout.
O que permaneceu depois
O padrão de trabalho permaneceu: hipótese documentada antes do design, métrica de sucesso antes da execução, QA dentro do escopo do designer. Cada entrega vira dado, e dado a gente reaproveita na decisão seguinte. Uma entrega sem hipótese por trás some sem deixar aprendizado.
O resultado de 28,96% de abandono posiciona o produto no quartil superior do mercado. Benchmarks de checkout em SaaS B2B otimizado indicam taxas de abandono entre 30–50% para fluxos bem executados; acima de 60% é indicador de fricção estrutural não resolvida. O checkout da Conta Azul saiu da cauda inferior para superar a faixa de referência de fluxos otimizados.
O que eu faria diferente
Iniciaria o diagnóstico com segmentação de comportamento por contexto de entrada antes do levantamento colaborativo de hipóteses. Os 629 checkouts de end-trial e os 2.404 checkouts totais do período de referência tinham motivações diferentes, e hipóteses calibradas por segmento teriam produzido intervenções mais precisas desde o início, não como refinamento posterior.
Também documentaria a decisão sobre o botão de extensão de trial como decisão de produto registrada, não apenas como ajuste de hierarquia visual. Decisões que afetam pipeline de vendas merecem rastreabilidade formal, independentemente de onde aparecem na interface.
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