Otimizando a experiência de milhares de novos usuários do ERP para que alcancem o valor real do produto
Growth
Activation
ERP SaaS
AI-Augmented
Contexto
Conta Azul é a principal plataforma de gestão financeira do Brasil para pequenas e médias empresas, e a complexidade do produto era seu maior risco de ativação.
Problema
Taxa de ativação de 30%, contra meta de 60%. O onboarding assistido pelo CS funcionava, mas alcançava uma fração dos novos clientes.
Abordagem
Diagnóstico estruturado antes de qualquer solução: 9 métodos de pesquisa, redefinição de ativação baseada em dados e 31 iniciativas ao longo de 2 anos.
Resultado
A taxa de ativação em 30 dias saiu de 30% para 51,6%. Das 200+ oportunidades mapeadas nasceu um time novo, e o onboarding deixou de depender do CS.
Resultados
+72%Taxa de ativação em 30 dias30% → 51,6% · meta original: 60%
+40%Vendas criadasOnboarding em escala
+109%Cliques nos CTAsVisão geral · primeiros dias
1.392Vendas em 10 diasVia novos pontos
+600%Acesso a Pix compensadoSimplificação de navegação
Único designer de ativação por dois anos. Respondia pelo OKR, não por um backlog.
Fui o único product designer do time de ativação da Conta Azul entre 2023 e 2025. Mapeei as dores da primeira experiência tela a tela com o CS, facilitei a priorização de 2025 com o GPM e o tech lead e desenhei as iniciativas: 31 em dois anos, medidas em ativação, receita, emissão fiscal e descoberta de funcionalidades.
Estratégia
Existia uma solução que funcionava. Ela não escalava.
A ativação em 30 dias estava em 30%, contra uma meta de 60%. Quem passava pelo onboarding assistido do CS ativava mais: 1,56x em emissão de nota fiscal, 2,03x em cobrança compensada. Só que o CS alcançava 7,7% dos novos clientes (472 de 6.111, de janeiro a abril de 2024), e a base crescia mais rápido do que o time.
Atacar uma tela de cada vez moveria pouco o ponteiro. Parei de tratar a ativação como fila de features e passei a tratá-la como sistema, com uma pergunta só: como fazer o produto realizar sozinho o que o CS fazia?
Processo
Hipótese e métrica de sucesso antes de qualquer tela.
Antes de propor solução: clientes, para achar as dores reais; o produto por dentro, para entender o negócio; e os times de operação, que viam fricções que nenhum dashboard mostrava. IA no discovery e na síntese, para ganhar velocidade. Cada iniciativa nasce com hipótese e métrica de sucesso definidas antes do desenho.
Hypothesis-Driven
Mixed-Methods
Metrics-Driven
AI-Augmented
Diagnóstico
O problema não era a tela. Era o modelo de onboarding.
O que o negócio chamava de ativação era, ao mesmo tempo, um problema de mensuração, de organização, de produto e de dados. Nove métodos, na ordem em que aconteceram: entrevistas com stakeholders, redefinição de ativação por correlação, pesquisa secundária com IA, benchmark de 20+ plataformas, observação de CS e entrevistas com usuários, tickets de suporte, mapeamento de fluxo em quatro cenários, blueprint de serviço e mapeamento do onboarding nativo. Deles saíram quatro achados.
Evidência: Sessões de onboarding em grupo e 1:1 observadas sem intervir, entrevistas com usuários em diferentes estágios, tickets de suporte e 12.887 reuniões com leads e clientes, transcritas e sintetizadas com IA.
Achado: Toda sessão começava com as mesmas cinco perguntas, e o produto não respondia nenhuma sozinho. Os primeiros 30 a 45 minutos iam em digitação de cadastro. Nos tickets, os pré-requisitos de NFS-e eram o maior motivo de contato nos primeiros 30 dias. O cliente não sabia por que fazer, onde estava e como fazer. O CS resolvia as três coisas por ele: colocava os dados, dizia o que fazer e mostrava onde encontrar.
Observação de sessões de CS: falas mapeadas às etapas da jornada
Hipótese inicial: Melhorar a tela de primeiros passos, onze etapas de configuração: menos passos, barra de progresso. Comecei por aí.
Evidência: No mapeamento tela a tela com o CS, em quatro cenários de entrada (novo trial, compra direta, fim do trial, ex-cliente voltando), a maioria pulava o passo a passo. A lista ignorava o interesse declarado no cadastro e pedia onze configurações antes do primeiro resultado. Novos usuários passavam por 4+ handoffs entre times, e os fluxos nativos de onboarding disparavam gatilhos simultâneos com linguagem contraditória.
Decisão: Nenhum ajuste na tela resolvia. Propus remover a tela, mover as perguntas essenciais para o cadastro e levar a orientação para dentro do produto, no momento da ação. O meio-termo negociado, um Primeiros passos 2.0 opcional, ainda estava em teste quando saí.
Mapeamento de fluxo atual: quatro cenários de entrada e pontos de falha
Evidência: Entrevistas com Product, CS, Marketing Lifecycle e Data Science, com três perguntas: o que é ativação para você, por que os usuários não ativam, o que já foi tentado.
Achado: Cada time media uma coisa, e cada iniciativa otimizava para um objetivo distinto. A régua oficial media configuração (certificado digital, homologação, conta PJ), não valor. Segmentos inteiros que nunca emitiriam nota nem cobrança contavam como não ativados por definição.
Decisão: Levei o argumento às lideranças de Growth, CS e Dados, que iniciaram o estudo de correlação entre uso de features e retenção acima de 12 meses. A ativação virou um conjunto de critérios cobrindo a jornada inteira: cadastros, integração da conta, venda, conciliação e fluxo de caixa. Isso justificou atacar vários pontos ao mesmo tempo.
Evidência: Blueprint de serviço do ciclo de vida inteiro: ações do usuário, touchpoints, frontstage, backstage, sistemas e times. Em paralelo, benchmark de 20+ plataformas SaaS (Claude para as tabelas, Mobbin para as telas) e pesquisa secundária sobre ativação, trial e estados vazios.
Achado: Primeiro artefato em que todos os times viram a jornada completa juntos. Mais de 200 oportunidades saíram dele, priorizadas por frequência, severidade e ownership. Do benchmark, três padrões: dados de exemplo eliminam a paralisia do produto vazio; ativação contextual supera checklists; onboarding segmentado conclui 30 a 40% mais que tours lineares.
Blueprint de serviço: jornada completa de ativação
Solução
O produto passou a fazer o que o CS fazia. Uma iniciativa para cada função.
Das 200+ oportunidades saíram 31 iniciativas em dois anos, priorizadas de forma colaborativa. As seis com evidência, agrupadas pela função do CS que substituem:
O CS preenchia os dados por você
Antes: Antes da primeira venda, o usuário precisava cadastrar clientes; antes da primeira nota, serviços. O preenchimento manual era a parede entre criar a conta e ver valor.
Decisão: Explorei três modelos: entrada pelo setup, integrada ao onboarding e chat conversacional. O MVP simula o chat por ações: o usuário sobe uma planilha, a IA extrai e mapeia os campos, ele revisa e aprova antes de qualquer gravação. Horas de digitação viraram minutos, e o modelo virou a base da IA do produto.
Importação com IA: upload da planilha e extração dos dados
Antes: Usuários de primeira viagem abriam o produto e não viam nada: os estados vazios anunciavam ausência sem dizer o que fazer, e o botão de ação principal passava despercebido.
Decisão: Redesenhei todos os estados vazios com a mesma estrutura: para que serve a área, qual é a primeira ação, uma CTA direta. Separei quatro situações que o produto tratava como uma só (vazio real, por filtro, por permissão, busca sem resultado) em componentes do design system. E refiz o +Novo com mais contraste e um menu que expõe Produto e Serviço de cara.
Estados vazios: todos os redesigns, com a mesma estrutura
+18%Vendas criadas
+20%Notas fiscais criadas
+12%Nova venda iniciada
+20%Nova nota fiscal iniciada
A/B test: out–nov 2024
1.392Vendas iniciadasExclusivamente pelos novos caminhos
Novos pontos de entrada, dez 2024, 10 dias · volume absoluto, não é A/B
Antes: A ajuda aparecia só no login, antes de o usuário saber o que precisava, e não dava para revisitar.
Decisão: Troquei por banners que aparecem na primeira entrada em cada área. Cada um responde à dúvida daquele ponto, mapeada nas dores de onboarding mais frequentes.
Banners contextuais na primeira entrada em cada área
Antes: O CS era o onboarding: todo novo usuário dependia de uma sessão agendada, e a base crescia mais rápido do que o time absorvia.
Decisão: Em vez de copiar a sessão linear para a tela, desenhei 12 fluxos independentes no Appcues, disparados pelo contexto da ação e separados por tipo de negócio (serviços, comércio, varejo). Rollout para 100% dos novos usuários de serviços em novembro de 2024.
Onboarding em escala: fluxo guiado por segmento
+40%Vendas criadas
+37%Notas fiscais criadas
+35%Notas fiscais iniciadas
+20%Vendas iniciadas
+19%Notas fiscais enviadas
A/B · Cluster Serviços · out–nov 2024 · base impactada: 50% dos novos trials de serviços
+130%Vendas criadas
+116%Notas fiscais criadas
+112%Notas fiscais iniciadas
+89%Vendas iniciadas
+84%Notas fiscais enviadas
Recorte: usuários que completaram ao menos um dos 12 fluxos · rollout para 100% dos novos usuários de serviços em 04/11
O CS mostrava onde encontrar
Antes: Funções críticas ficavam enterradas num menu que mostrava tudo para todos. A busca ideal, um campo único no sistema inteiro, exigia refatorar um front de quinze anos que ninguém ia priorizar.
Decisão: Escolhi uma camada por cima do que existia, no modelo Spotlight: indexa o que já existe sem mudar as telas antigas. Entreguei em fases, medindo antes de abrir a seguinte: MVP, V2 com descrições, V3 com iconografia e classificação por tipo. Junto, reorganizei o primeiro nível do menu e simplifiquei a topbar.
Busca global: resultados contextuais
+600%Acesso a Pix compensado
+233%Acesso a Pix emitido
+100%Acesso a link de pagamento
+41%Acesso a compras
+37%Acesso a relatórios de vendas
Base pequena · eram funções que quase ninguém encontrava: o número prova encontrabilidade, não interesse
Antes: Mais de 80% de quem passava pelo treinamento 1:1 com o CS ativava. Mas o agendamento dependia de o CS alcançar o usuário, e quase ninguém sabia que o treinamento gratuito existia.
Decisão: No primeiro acesso, o produto passou a oferecer o agendamento de uma sessão gratuita por videoconferência, com compartilhamento de tela. Em vez de o CS correr atrás do usuário, o usuário encontra o treinamento no momento certo.
Agendamento de treinamento: convite e fluxo na plataforma
Impacto
Sem o CS no caminho, a ativação foi de 27% para 40%.
As métricas por iniciativa estão acima. Aqui, o indicador e a organização.
A ativação saiu de 30% para 51,6%
A taxa oscilava entre 28,8% e 36,2% quando comecei; a meta era 60%. Em outubro de 2025 chegou a 51,6%. Não cheguei aos 60%, e a régua mudou no meio do caminho. O recorte novo mede só o que o produto faz sozinho: assinantes que ativaram ao menos cinco critérios sem passar pelo CS foram de 27% para 40%. Nenhuma iniciativa isolada explica o movimento; ele vem do conjunto.
Novo time criado
As mais de 200 oportunidades do blueprint viraram o backlog de um time novo, dedicado à qualidade da experiência e dono de partes do produto que antes não tinham dono.
CS liberado do onboarding
O onboarding padrão passou a funcionar sem atendimento humano e sem aumentar o time. O CS foi para contas complexas, clientes em risco e suporte especializado.
Reflexão
O que este projeto foi
O briefing era ativação: uma métrica para subir, uma lista de iniciativas para entregar. O trabalho que mais pesou veio antes de qualquer tela: desacelerar, mapear o sistema e transformar as intervenções do CS em capacidades de produto. A IA cobriu superfície de time (milhares de reuniões ouvidas, tickets sintetizados), e o método ficou documentado e foi adotado por outros designers.
O que eu faria diferente
Puxaria o time de dados para dentro na primeira semana e definiria como ler o resultado antes de desenhar. Escreveria o calendário de experimentos junto com o backlog: doze frentes em paralelo sem governança custaram a leitura do conjunto. Uma das frentes foi pausada por colidir com um teste de outro time, e eu perdi a capacidade de isolar a contribuição de cada iniciativa nos 72%. Defendo cada número na métrica que ele mediu. Quanto cada um valeu no agregado, não vou estimar.
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